O amor à Maria Santíssima, um dom de Pentecostes

Lc 1, 46-55

Irmãos,

É uma grande alegria para nós, cristãos, vivenciarmos as experiências a que o Tempo Pascal nos conduz. Esse ano de modo especial, o mês de maio, dedicado à Maria Santíssima, foi completamente envolvido pelo mistério da Ressurreição. É maravilhoso notarmos que o último dia desse mês, dia em que geralmente reservamos para coroar Maria Santíssima, estará envolvido pela Graça de Pentecostes. Não queremos entrar em mérito de coincidências ou não, isso não importa. O fato é que através dessa situação Deus tem muito a nos dizer: nós, cristãos, não podemos nunca separar a grande Graça de Pentecostes da Graça também imensa de termos Maria como nossa Mãe e Mestra.

Em inúmeras pregações ouvimos que Maria Santíssima recebe o título de “Esposa do Espírito Santo”, e o motivo central que ilustra isso é o fato de que foi o Espírito quem cobriu a Virgem com Sua sombra, foi pelo Seu poder que Nosso Senhor foi concebido. Isso é verdade, sabemos disso. Só que não podemos também negar que ser Esposa do Espírito, receber esse título tão importante, indica de modo muito especial uma comunhão profunda que a Virgem tem com o Divino Paráclito. Ela mesma nos indica isso quando afirma que “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem” (Lc 1, 50). Irmãos, o santo Temor de Deus, que é Dom do Espírito Santo, impregnava a vida de Nossa Mãe Santíssima. O Amor que ela tem por Nosso Senhor ultrapassa nossas capacidades de entendimento. Por isso Ela é proclamada bem-aventurada.

O Salmo 24 nos leva a entender que o dom do Temor de Deus é um dom de intimidade, manifestado naqueles que são íntimos do Senhor. “O Senhor se torna íntimo dos que o temem e lhes manifesta a sua aliança” (Sl 24, 14). Temer a Deus não significa ter medo, sabemos disso, mas temer ofender Aquele que amamos. A Beata Elena Guerra afirmou que o dom do Temor de Deus é o dom que “reina sobre a nossa vontade e faz que sejamos sempre dispostos a sofrer antes que pecar.” No livro de Provérbios está escrito que “temer a Deus é o princípio da sabedoria” (Pr 1, 7). Não é à toa que a Virgem Santíssima, humilde como é, manifesta que o dom que permeia sua vida é o dom do Temor de Deus, porque temer a Deus é princípio da Sabedoria. Sabemos que a Sabedoria é o dom mais alto, porque ela se identifica com o próprio Deus, a Sabedoria é o próprio Deus. A Virgem Santíssima, Mulher temente, era uma Mulher completamente configurada à Sabedoria Divina, ao Amor de Deus. “A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”, e não há exemplo de pessoa mais envolvida na história pela Misericórdia Divina se não a Virgem Santíssima. Foi a sombra do Espírito que a fecundou, sim, o que já a faz Esposa do Espírito. Mas a Virgem Santíssima é Mulher íntima, ela se tornou íntima porque temia a Deus. Preferiu sofrer antes que ofender ao Seu Senhor, pois não se encontrou mácula em seu coração. Maria é o exemplo máximo de intimidade com o Espírito Santo.

Certa vez, São Francisco de Sales disse às suas filhas espirituais que não são as nossas obrigações – como os Mandamentos da Lei de Deus, cuja não-realização nos faz incorrer em pecado – que nos fazem crescer na Misericórdia, na Graça de Deus e nos Dons do Espírito. São os nossos bons propósitos com Deus, galgados a cada dia, os pequenos gestos de amor que enraízam em nós a Caridade, a Graça e de modo especial os Dons do Espírito. Irmãos, não existe cartilha que nos obriga a amar Nossa Senhora. Contudo, é maravilhoso percebermos que a vida de Maria Santíssima é um presente de Deus para nós. O amor sem medidas a Nossa Senhora nos conduz a um amor cada vez mais profundo ao Espírito de Deus. Certamente um dos maiores frutos que Pentecostes legou à Igreja é a devoção à Nossa Mãe Santíssima, devoção que parte da sua santa presença naquele Cenáculo bendito. Aproximarmo-nos dela com amor e fervor é achegarmo-nos a um Templo Sublime e sem mácula do Espírito Santo.

Queres ser pleno, cheio do Espírito Santo? Viva esse fim de mês Mariano com todo o amor possível, porque aos devotíssimos da Virgem Santíssima é reservada a Efusão de Pentecostes. Não é à toa que dia 31 deste mês Mariano nós estaremos celebrando o dia da Efusão do Espírito na Igreja. Se queremos oferecer a Virgem Santíssima uma coroa, que coroa mais perfeita poderíamos oferecer se não a mesma Coroa que o Espírito Santo a ofereceu. Coroemos a Virgem Santíssima com a graça de nos aproximarmos cada vez mais dela e, consequentemente, sermos mais íntimos do Espírito que a envolve, temermos a Deus com todas as nossas forças, pois “temer a Deus é o princípio da Sabedoria.”

Assim o jovem rico deveria ter compreendido que não é cumprindo mandamentos que se torna perfeito. Se é necessário ser perfeito como o Senhor lhe manifestou, atingir a Sabedoria, ou seja, ser santo, não basta apenas cumprirmos mandamentos. Precisamos colocar em prática nossos bons propósitos, seguir a Deus de todo coração como Ele deseja que nós o sigamos: sendo íntimos do Seu Espírito. E maior intimidade com o Espírito é alcançada por aqueles que têm a Virgem Santíssima como Mãe e Mestra: ofereçamos a Ela essa Coroa Santa.

Nossa Senhora, Rainha de Pentecostes, rogai por nós.

Felipe Augusto
Coordenador Estadual do Ministério para Seminaristas