“Pai e mãe estão cansados e vão dormir… E eles ficam órfãos!”, expressou o Papa Francisco durante a abertura do Congresso Pastoral da Diocese de Roma, no dia 17 de junho, onde denunciou que esta vida “desumana” fez com que os jovens não saibam “qual direção tomar para que a vida seja bela e para ser felizes de levantar-se pela manhã”.

Conforme informou a Rádio Vaticano, em seu discurso a sacerdotes, catequistas e fiéis, o Santo Padre compartilhou os temores de muitas pessoas que encontrou durante as suas visitas pastorais nas paróquias romanas e também nas cartas que lhe enviam. Pessoas, indicou, que manifestaram o mal-estar que vivem, “o peso que os esmaga”, chegando a colocar em dúvida a beleza da vida.

“Surge no nosso coração a pergunta: como fazemos para que os nossos filhos, nossos jovens, possam dar um sentido a sua vida? Porque também eles advertem que o nosso modo de viver, às vezes é desumano e não sabem qual direção tomar para que a vida seja bela e para ser felizes de levantar-se pela manhã”, assinalou no encontro de ontem.

Vida “desumana”, disse o Papa, de quem deixa os filhos dormindo de manhã para ir ao trabalho e os reencontra de noite já dormindo. Nossos filhos estão “órfãos de um caminho seguro para percorrer, de um mestre, de ideais que aqueçam o coração, de esperanças que sustentem o trabalho cotidiano”. “Eles são órfãos, mas conservam o desejo de tudo isso”, afirmou.

“Essa é a sociedade dos órfãos, sem memória de família porque, por exemplo, os avós são levados para casas de repouso, sem afeto de hoje, ou um afeto muito veloz, pai e mãe estão cansados e vão dormir e eles ficam cansados, órfãos de gratuidade, daquela gratuidade do pai e da mãe que sabem perder tempo brincando com os filhos!”.

“Também a sociedade renega seus filhos”, acrescentou o Papa, ao recordar que quase 40 por cento dos jovens italianos não tem trabalho. “Isto significa: ‘você não me importa, você é material de descarte’”, expressou.

Entretanto, afirmou que “somos um povo que quer fazer com que os filhos cresçam com a certeza de ter um pai, uma família, uma mãe”, por isso chamou a “recuperar o sentido da gratuidade” nas famílias, paróquias e sociedade em geral.

Francisco explicou que a gratuidade humana “é como abrir o coração à graça de Deus: Tudo é grátis. Ele vem e nos dá sua graça”. “Se nós não tivermos o sentido da gratuidade na família, na escola, na paróquia, vai ser muito difícil compreender o que é a graça de Deus, a graça que não se vende, que não se pode comprar, que é um dom, um presente de Deus: é Deus mesmo”.

“Aqui está o sentido profundo da iniciação cristã”, afirmou o Papa, pois gerar a fé significa proclamar com confiança a promessa de Cristo de que não deixará os seus discípulos órfãos.

FONTE: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-um-filho-que-nao-passa-tempo-com-os-seus-pais-esta-orfao-33854/