A contemplação cura a depressão – Seja um contemplativo e não um depressivo 

 

João Batista, o profeta dos tempos messiânicos, mesmo preso não deixou as grades acabarem com seu entusiasmo sobre o Messias. Ele sabia quem era o Cristo. Porém, alguns dos seus discípulos tinham dúvidas. Não há melhor experiência que a de ouvir e ver. A isso chamamos de contemplação. Um grande exercício espiritual ensinado pelos padres do deserto. Esta ordem das palavras de Jesus é importantíssima, cf. Mt 11,4 “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:” É a contemplação que une estes dois sentidos, a audição e a visão.

 

Na chamada Lectio Divina (oração com o uso dos textos da Bíblia), o texto sagrado entra como um som no meu coração pela leitura silenciosa e preenche meu ser como uma cena montada e contemplada se realizando através do que ouvi. Tanto faz ser a leitura silenciosa ou não. Posso meditar lendo em voz alta para melhor assimilar. Como diria alguns, isto é do gosto do freguês. O importante é ouvir e ver.

 

O contato com as palavras de Jesus leva-nos a contemplar suas obras. Quando queremos falar de obras messiânicas é demonstrar a mudança da realidade humana. O que estava estragado foi restaurado, o que estava perdido foi encontrado. A contemplação me transforma em testemunha daquele que transforma. Mas para isto acontecer é necessário que eu queira ver e ouvir.

 

Assumamos a condição dos discípulos de João que esperavam o Cristo. Ouviram (Sagrada Escritura – aquilo que Jesus disse), viram (os feitos de Jesus), o que foi profetizado por Isaías, 35, 5 e 61, 1-2, conforme palavras do próprio Cristo em Mt 11,5; “os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.” Depois da Contemplação saíram para testemunhar, não ficaram apenas na admiração do Senhor.

 

Aconteceu o que chamamos progresso espiritual. A contemplação movimenta aquele que humildemente ouve e vê. Só os humildes são capazes de contemplar as obras realizadas por Jesus. Os orgulhosos não são capazes de ouvir e pelo excesso de crítica não admitem uma encarnação de Deus em hipótese alguma. Impossível um orgulhoso contemplar o divino, pois no seu inconsciente ele já afirmou: “não preciso de Deus, isto foi invenção de alguém que queria dominar pelo medo de um ser superior aos homens.”

 

Depois da contemplação, os enviados por João Batista voltaram para noticiar a experiência que tiveram.  Com certeza tornaram-se discípulos de Jesus. João cumpriu sua missão de aplainar o caminho do Senhor. Reconheceu-se como menor que o Cristo e pelo Cristo foi elevado: “… de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista.” cf. Mt 11,11. E ainda nos ensina que “No entanto o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”. No Reino de Cristo fazer-se Mínimo é tornar-se Grande. Abdicar ao mal para ser bom, fugir do pecado para ser santo é para os incrédulos sinal de quem não sabe viver, ao passo que para os crédulos é viver à espera de uma feliz eternidade.

 

A alegria da transformação do coração contemplativo consiste em “Criar ânimo” e agir conforme pediu Isaías: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: criai ânimo, não tenhais medo.” Cf. Is 35,3-4. Segundo Isaias o remédio para a depressão chama-se vida espiritual, ou seja, vida de oração. O desânimo é uma das inúmeras características de um depressivo, pois deixa de fazer muitas coisas boas para ser dominado pelo ócio. Assim sendo, aquele que fortalece as mãos para a labuta e firma os joelhos pela oração é salvo pelo Senhor que vem. 

 

Como resultado final os contemplativos “virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos; cheios de gozo e contentamento não mais conhecerão a dor nem o pranto” cf. Is 35,10. Seja um contemplativo e não um depressivo.

 

 
 
Pe. Marcos Paulo Pinalli da Costa
 
Pároco da Paróquia Cristo Ressuscitado e Nossa Senhora da Penha, em Conselheiro Josino RJ, Capelão da Igreja São Francisco de Assis em Campos RJ, professor de Sagrada Escritura na Escola Mater Ecclesiae e Diretor Espiritual da Renovação Carismática Católica da Diocese de Campos