"Não pode ser só uma reflexão humana sobre Deus"
 
A teologia autêntica se faz "de joelhos", com fé, explicou Bento XVI em um dos últimos atos públicos que viveu neste fim de semana na Áustria.

Na tarde deste domingo, visitou a abadia cisterciense de Heiligenkreuz, situada a aproximadamente trinta quilômetros de Viena, e sede de uma Academia Teológica que desde o mês de fevereiro tem o nome de Bento XVI.

Cerca de 15 mil pessoas esperavam, entre o exterior e o interior do grande claustro, a chegada do Papa, que após ter cumprimentado os presentes, passou entre os muros do templo que se remonta ao século XII, acompanhado pelo canto dos monges.

A teologia cristã, explicou, "não pode ser só uma reflexão humana sobre Deus, mas leva em conta sempre, ao mesmo tempo, o ‘Logos’ e a lógica com a qual Deus se revela".

"Por este motivo, a intelectualidade científica e a devoção vivida são dois elementos próprios do estudo que, segundo uma complementaridade irrenunciável, se dependem mutuamente."

Recordando São Bernardo de Claraval (1090-1153), explicou que lutou em sua época "contra uma racionalidade" desapegada da "espiritualidade eclesial".

"Nossa situação hoje, ainda que diferente, tem contudo notáveis semelhanças – reconheceu. Com a obsessão de obter o reconhecimento de rigoroso caráter científico no sentido moderno, a teologia pode perder sua dimensão de fé."

"Uma teologia que deixa de respirar a atmosfera da fé deixa de ser teologia; acaba reduzindo-se a uma série de disciplinas mais ou menos ligadas entre si", denunciou o Papa teólogo.

"Onde, pelo contrário, se pratica uma ‘teologia de joelhos’, como dizia Hans Urs von Balthasar, não faltará fecundidade para a Igreja", assegurou.

O bispo de Roma promoveu no mosteiro uma vida de seguimento de Cristo que envolve toda a personalidade do crente.

"Onde se descuida da dimensão intelectual, nasce facilmente uma forma pia de enfatuação, nutrida exclusivamente de emoções e estados emocionais que não podem manter-se em pé durante toda uma vida."

"E se se descuida da dimensão espiritual, cria-se um racionalismo rarefeito que, sobre a base de sua frieza e sua distância, não desemboca nunca em uma entrega entusiasta de si mesmo a Deus."

"Não se pode fundamentar uma vida de seguimento de Cristo sobre estes critérios unilaterais. Quando se vive assim, se fica pessoalmente insatisfeito e, portanto, talvez espiritualmente estéril", disse aos monges.

Antes de deixar a abadia, Bento XVI pôde saudar um monge idoso que conseguiu sobreviver à perseguição nazista.

 
Colaboração: Luciano Ferrarez
Fonte: Zenit